Responsáveis pelo desenvolvimento da educação, os profissionais de educação mostraram-se fortes e fundamentais diante da maior crise sanitária da história recente da humanidade. Familiarizados ou não com ferramentas tecnológicas, eles se viram obrigados e inovar e criar novas formas de ensino durante a pandemia do coronavírus. A responsabilidade e a cobrança em cima desses profissionais só aumentaram. Não faltam exemplos de quem se submeteu a jornadas extras de trabalho ao mesmo tempo que precisaram lidar com filhos e afazeres domésticos. Apesar das dificuldades, eles encontram motivos para continuar firmes no exercício da profissão.

Quando começou a lecionar há cerca de 17 anos, Paulo Arcanjo, 36, não imaginava passar por dias tão desafiadores. “O começo da pandemia foi assustador. Tínhamos um calendário montado para o ano inteiro que precisou ser refeito. Eu estava gostando das mudanças por poder experimentar novar possibilidades. Por outro lado, professores mais antigos ficaram com medo de não conseguir se adaptar ao ensino remoto”, comenta. Para Paulo, o ensino totalmente à distância reforçou a importância de uma das mais importantes profissões praticadas no mundo. “De certa forma a imagem do professor foi ressignificada. Recebi muitos feedbacks de pais impressionados com a capacidade dos professores de se reinventarem”, disse.

Para Arcanjo, a escola passou a ser um refúgio nessa pandemia. “Em meados de maio ficou desesperador, os números aumentando, fake news circulando. Quando íamos para o ambiente de ensino era como se estivesse tendo uma tempestade lá fora e aquele momento fosse de proteção”, afirma. Ansioso para o retorno das aulas presenciais, na próxima semana, ele conta que sente falta de situações vistas como triviais por algumas pessoas. “Tenho saudade do sinal, de abrir a porta para entrar na sala, andar no corredor e ver os estudantes vindo na minha direção, além do contato com os colegas professores. Dá um pouco de medo de que isso não volte mais”, confessa.

Na rede pública de ensino a situação foi ainda mais delicada, como conta a professora de língua portuguesa e estrangeira Gracielly Mansur, 44. “Muitos estudantes não têm computador, acesso a internet, o celular que tem é para dividir com os pais e irmãos”, comenta, acrescentando que chegou a ligar para os alunos para saber como eles estavam e incentivá-los a continuar os estudos. “O professor se reinventa a cada dia. Estamos sempre desvendando e procurando superar as dificuldades. Fazemos de tudo para dar o melhor aos nossos alunos”, diz. Para Gracielly, o que a estimula diariamente é o poder de transformação da educação. “É um trabalho de formiguinha de ir mostrando que a educação é importante e pode mudar a realidade deles”, fala.

Apesar das dificuldades a professora afirma que gosta de ver as coisas sempre pelo viés positivo. “Não é ‘Síndrome de Poliana’, mas olhar pelo lado bom. Vi minha filha de 5 anos sendo alfabetizada com aulas pela internet. Fizemos o que pudemos e da melhor forma possível segundo o que cada um tinha disponível. Prefiro acreditar que algo de bom vai ficar disso tudo”, comenta. Gracielly vê o Dia dos Professores, celebrado hoje, como um momento de luta por mais valorização da profissão. “É um dia para refletir sobre os rumos da educação no nosso país. Estamos usando nosso material, o computador pessoal, a energia elétrica de nossas casas, trabalhando triplicado e ganhando a mesma coisa. Falta investimento e reconhecimento”, fala.

A opinião é compartilhada por Paulo Arcanjo, que acha difícil projetar o futuro da profissão. No entanto, ele ressalta que o professor é uma peça fundamental para uma educação de qualidade. “Todo o restante é supérfluo. O quadro e o computador são instrumentos, a coordenação é um apoio, a escola é a estrutura. Mas se o professor não existir a educação não existe. Infelizmente, as pessoas não têm essa percepção”, comenta.

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