“Love, Victor” chega ao fim com enredo simples e personagens maduros

Série é um spin-off do longa-metragem “Com amor, Simon” e está disponível na Star+

Quando o longa-metragem “Love, Simon” estreou em 2018, trouxe uma comédia romântica fora da heteronormatividade que fez sucesso. A saga de Simon (Nick Robinson) na descoberta como um jovem gay agradou ao ponto de, dois anos depois, a série spin-off  “Love, Victor” chegasse com uma premissa semelhante. Victor (Michael Cimino) tem os mesmos questionamentos que Simon – este agora maduro, formado e vivendo em outra cidade – e troca mensagens com o ex-aluno de Creekwood para pedir conselhos.

A série poderia ser mais do mesmo, mas consegue encontrar seu próprio caminho, se afastando cada vez mais da sombra do filme para levantar suas próprias temáticas. Três temporadas, disponíveis na Star+, foram suficientes para fechar o arco dos personagens e em cada ano, na medida em que os personagens amadurecem os dilemas também vão ganhando profundidade.

Se na primeira temporada Victor aprendeu a lidar com a jornada (nem sempre tranquila) de aceitação dos pais sobre sua sexualidade, os últimos episódios trouxeram Victor e seus amigos vivenciando o preconceito na pele, além do alcoolismo e reabilitação de Benji (George Sear), o romance entre duas garotas (sem spoilers), entre outros arcos bons de acompanhar. A partir daqui, spoilers da última temporada.

Personagens cativantes

Até mais do que no longa, “Love, Victor” consegue ter mais êxito na identificação do público com os personagens. Na última fase, o relacionamento de Felix (Anthony Turpel) e Lake (Bebe Wood) muda da água para o vinho, essa transição pode causar estranheza no início, já que ambos são queridos entre os fãs do seriado, mas é bonito ver que apesar dos pesares, eles ainda estão lá um pelo outro. Independente de rótulos, a parceria deles é bonita de se ver.

O desdobramento desse arco conta com a participação de Pilar (Isabella Ferreira), irmã do protagonista, que vai ganhando mais espaço em cena na medida em que a série avança. Seus dilemas, no entanto, parecem ser superficiais quando comparados com os outros personagens, talvez por ela ser mais nova. Os novatos Nick (Nico Greetham) e Lucy (Ava Capri) não se desenvolvem como poderia, mas servem para o crescimento de outros personagens.

O casal Mia (Rachel Hilson) e Andrew (Mason Gooding) talvez seja o mais desinteressante de acompanhar, mas, de modo geral, não é cansativo vê-los em cena. Ao contrário de Rahim (Anthony Keyvan), que tem todo seu desenvolvimento nivelado desde um mero coadjuvante até quase ofuscar o protagonista. Tudo em “Love, Victor” é leve. Em resumo, a série é ótima para ver com a família ou como respiro entre produções mais densas.

O simples às vezes basta

“Love, Victor” não foi feita para surpreender com grandes reviravoltas e está tudo bem. É possível prever quase todos os passos dos personagens, seja por dicas deixadas ao longo dos episódios ou pelo velho clichê do gênero. Isso está longe de ser uma crítica negativa. É preciso entender a mensagem que a produção quer passar para evitar expectativas altas – seja lá o que você entenda sobre isso.

No fim, há uma mensagem bonita e importante sobre coragem que movimenta todos os personagens para o desfecho. Coragem de viver, de ser quem é sem medo das críticas. De amar sem culpa. A linha entre a realidade e a ficção existe, afinal, nem todos tem espaço para crescer com coragem, existem variantes graves, como família e religião.

Contudo, volto a usar o argumento de “Heartstopper”: uma geração de jovens que crescem com aceitação e livre de estigmas deve continuar sendo apenas ficção ou estamos reafirmando que isso não existe porque fomos condicionados a pensar assim?

*Fernando Martins é jornalista, escritor e grande entusiasta de produções televisivas. Criador do Uma Série de Coisas, escreve semanalmente neste espaço. Instagram: @umaseriedecoisas.

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